Reflexão de Lavoisier ao descobrir que lhe haviam roubado a carteira: nada se perde tudo muda de dono. Pensava João ao sair cedo de casa, nesta frase de Mário Quintana. Embora soubesse que aquilo que estava fazendo não fosse correto. Como resistir a beleza e a sensualidade daquela garota, mesmo ela sendo a esposa do seu melhor amigo?
Ele seguia dirigindo e pensando, Luis era como seu irmão, foram criados praticamente juntos, passeavam juntos nos finais de semana nos balneários, andavam de bicicleta na Praça da Matriz, tomavam sorvetes juntos, iam à mesma escola e iam juntos aos bailes na região. Foi num desses bailes que Luis e Alice se conheceram.
No início, parecia não ser nada sério, porém depois os dois começaram a namorar e casaram. Pedro continuava amigo do casal, agora saíam os três juntos. Luis era um bom rapaz trabalhava num escritório e fazia faculdade de direito e João trabalhava de entregador numa loja e estudava engenharia. Pedro era alegre, falante e Luis era mais quieto, mas muito carinhoso com a esposa.
Pedro não conseguia entender como poderia estar amando a esposa do seu melhor amigo, mas o pior não era isso, o pior é que esse amor era correspondido.
- Até amanhã, meu amor! Falou Alice ao sair do Motel Casa Blanca e entrar no táxi que havia chamado.
_ Até, falou João depois de trocarem um longo e quente beijo na boca.
No dia seguinte ao chegar ao trabalho Pedro recebeu uma mensagem em seu telefone: “Como pode ser tão canalha e trair seu melhor amigo?” Ele levou um susto tão grande que teve que sentar para não cair. Eles tomavam sempre tantos cuidados para não serem descobertos, como poderia? Não conseguiu descobrir quem enviara a mensagem, pois não havia número. Poucos minutos depois o telefone tocou, era Alice, desesperada por ter recebido a mesma mensagem.
_ Olha meu bem temos que dar um tempo, ficar uns dias sem nos ver, não irei à casa de vocês por uns tempos, acho que é melhor!
_ Também acho, vou sentir muito sua falta!
Alguns dias mais tarde ao sair do trabalho João foi até um barzinho no centro que costumava ir, pediu uma cerveja e de repente chega o Luis, João ficou todo assustado, pois não sabia se o autor da mensagem talvez não fosse o próprio Luis.
_ Ei cara, o que há você anda sumido, não apareceu mais lá em casa. Qual o problema?
_ Problema nenhum, estou meio sem tempo!
_ Essa não. Foi bom te encontrar, precisava conversar com alguém.
_ Fala, cara, sou todo ouvidos!
_ É a Alice, ela anda muito estranha, arredia, parece que está me escondendo alguma coisa! Estou preocupado, ela parece estar sempre distante.
_ Não encana, cara, deve ser coisas de mulher, TPM, porque você não dá um dinheiro ou leva ela para fazer umas compras.
_ Já fiz isso e não adiantou. Sinceramente eu acho que ela está me traindo.
João mexeu-se na cadeira e falou com voz engasgada:
_ Traindo? Alice? Impossível ele adora você!
_ Você diz isso porque não a tem visto há vários dias, ela não parece mais a mesma!
_Luis, sinto muito, mas preciso ir, tenho um compromisso. Até!
_ Até!
João entrou no carro, pegou a Avenida Uruguai e parou num lugar deserto e escuro. Pegou o telefone e ligou para Alice.
_ Meu amor você precisa disfarçar melhor, Luis está desconfiado que o esteja traindo.
_ Pedro, eu não agüento mais, preciso te ver! Acho que se não puder c te ver vou morrer de amor! Hoje procurei uma cartomante e ela me garantiu que nós dois vamos ficar juntos.
_ Essa agora, vai acreditar em cartomantes!
_ É verdade meu bem, ela me garantiu que nós dois vamos terminar nossa vida juntos! Vamos nos ver amanhã? No Casa Blanca. O Luis amanhã vai para Santa Rosa bem cedo, a trabalho e teremos o dia todo pra nós!
_ Está bem, a que horas?
_ Às 10 da manhã, mal posso esperar para tê-lo em meus braços e sentir teus lábios e teu corpo...
No dia seguinte Luis saiu cedo, antes deu um longo beijo em Alice e deu-lhe dinheiro para que ela comprasse algumas roupas novas. Ela estava ansiosa, perto das 10 horas, chamou um táxi e foi para seu encontro. Chegando ao motel, Pedro já a esperava na entrada, ela entrou no carro e quando Pedro ligou o motor para entrar, uma pessoa saiu detrás dos arbustos... LUIS... Ele estava armado e apenas falou:
_ Gravei toda a conversa de vocês seus traidores, a cartomante tinha razão vocês vão terminar suas vidas juntos!!! E disparou a queima-roupas, vários tiros nos dois, depois se sentou ao lado do carro, abriu uma cerveja e a sorveu calmamente.
Esse texto foi elaborado coletivamente pelo grupo amiga da leitura. ( Rosa, Vera, Maria Lúcia e Mara Rosane).
ResponderExcluirEsse texto é uma releitura do conto: "A Cartomante" de Machado de Assis, adaptado a nossa realidade. Os personagens, o cenário, os costumes e a linguagem foram atualizados , porém o tema permanece o mesmo.
ResponderExcluirEsse texto também teve a colaboração da amiga da leitura Márcia Maria Barth.